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Foodtech [pt]

Uma nova revolução para 2018?

Se nos projetarmos daqui a 5 anos, nos somos obrigados a constatar o obvio. O setor agroalimentar vai passar por enormes mudanças nos anos que chegam. Inicialmente falamos de tecnologia, depois abreviamos para tecno e mais recentemente falamos em Foodtech. A pergunta que fica no ar é:  Como é possível enxergar além da realidade e o efeito buzz em marketing? Como saber se não é somente uma nuvem passageira?

Devemos estar prontos para fazermos face a um grande desafio futuro: como alimentar 9 bilhões de pessoas em meados de 2050? Assim, mostra-se imperativo para as pessoas que trabalham na área agroalimentar a obrigação de se reinventar, de subir as velas do barco e se orientar em direção ao bom vento, chamado digital. Devemos integrar estas novas tecnologias para poder construir uma nova cadeia alimentar mais inteligente (utilizando da inteligência artificial) e muito mais eficaz. O objetivo deve ser visto como comum e devemos pensar em obter: o ganho da eficiência e agregando mais valor aos produtos, como por exemplo: os produtos veganos, a cenoura é a mesma mas os VALORES evoluíram.

Na verdade, o setor agroalimentar esta iniciando um novo ciclo, em uma nova Era, sobretudo quando já se sabe que os consumidores do ano de 2020 já nasceram ou estão para nascer. Nesse futuro, estes consumidores terão expectativas e comportamentos completamente novos, basta olhar para alguma criança da familis como sobrinho, filho, primo etc.

Devemos considerar que esta nova geração é bem diferente das  outras gerações que fizeram o sucesso do agroalimentar e de distribuição logística que conhecemos hoje. Este também é um tema a se abordar e a provocar para uma reflexão. São estes novos consumidores que conhecemos, como você e eu, que vão fazer parte desta evolução alimentar com intuito de serrem mais autênticos com os seus próprios valores.

Com isto, não quero dizer que devemos abandonar nossas criações e riquezas do que fizemos passados 30 anos (como aparição do forno micro-ondas, os pratos congelados etc). O meu objetivo é de ir mais além, eu te convido a  olhar o horizonte. O que peço é para usarmos nosso poder de imaginação para este novo futuro, no qual considero que vamos todos estar: o futuro da Foodtech, no qual seu crescimento é exponencial.

Devemos buscar soluções que irão privilegiar os utilizadores deste setor a partir de hoje, qual o objetivo a ter em mente? Melhorar, prevenir e se preparar, devemos antecipar as ações futuras, organizá-las de uma forma mais coerente com o objetivo. A evolução das organizações é indispensável, pensar diferente e reorientar os processos que passam por modelos de experimentação e de colaboração, veja o exemplo das Start-up. Afinal uma revolução nunca chega sozinha, vai ser necessário pensar de outra forma para reconstruir os novos postos de trabalho do amanha.

Foodtech : let’s cook the future together !

 

Texto inspirado em:

PASCALE AZRIA,
Co-Fondatrice de Food is Social
KEVIN CAMPHUIS
Co-Fondateur de ShakeUpFactory

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A passagem do modelo tradicional para digital de negocios [pt]

Hoje, vamos falar sobre a transformação do modelo de negócios tradicional para o digital nas empresas. A transformação já está acontecendo em todas as áreas, mas na Foodtech especialmente, este novo modelo é extremamente importante.

Elaboramos 3 etapas cruciais à serem abordadas para operar a transformação para o modelo de negócios digital. Este novo modelo, provoca uma verdadeira revolução no modo de gerir os negócios, mas se pensarmos bem a tecnologia já é utilizada nas empresas faz alguns anos. Este novo modelo  vem para agilizar e aproximar a empresa do consumidor final. Alguns autores falam até, que estamos iniciando uma nova Revolução Industrial

Etapa 1: Formar os atores Dirigentes de projetos

Já sabemos que a formação é um dos fatores primordiais de satisfação, motivação e bem estar para os colaboradores. A ideia é de incentivar inicialmente a reflexão destes colaboradores. Posteriormente, esta reflexão poderá amadurecer e trazer, por fim, um retorno positivo em modelos de ação. A formação deve ser um investimentos de duas vias (da empresa e do colaborador) que permite a ambos aprenderem com esta experiência. Podemos notar que as empresas que possuem investimentos nas áreas da Pesquisa e Desenvolvimento, crescem mais assertivamente.

Etapa 2: Repensar na relação entre a marca e o consumidor

A maior oportunidade oferecida por este novo modelo tecnológico e digital é a oportunidade que a empresa tem de se conectar com seus consumidores. É necessário pensar de uma outra forma e se colocar no lugar do consumidor afim de estreitar a relação com o cliente.

A inovação deste novo modelo de negocio é de partilhar novos valores engajados pela sociedade e mais propriamente dito, da nova geração de jovens (Geração X, Y e Milênio). Valores como saudável, orgânico, origem do produto, impacto social e sustentabilidade são as novas informações que as empresas devem agregar nos seus valores.

 

Etapa 3: Favorizar a abertura à inovação (Open Innovation)

 

A abertura a inovação nada mais é que varias ferramentas e métodos que são utilizados juntos afim de acelerar a inovação. Tendo como base: a inteligência coletiva, a partilha do conhecimento e a ação de projetos em modo colaborativo.

Um exemplo muito simples são os “influenciadores” que entenderam muito bem como funciona este modelo. Eles não hesitam em pedir a opinião do seguidor nas redes sociais, a fazer enquetes no Instagram e se basear nas estatísticas fornecidas pelas plataformas digitais. No Marketing 4.0, do livro do Philip Kotler, mostra que as Start-up também seguem este mesmo modelo de inovação. Podemos notar que nestes novos modelos, existe uma quebra de paradigmas. Anteriormente poucas pessoas detinham o poder do conhecimento do comportamento do consumidor. Hoje, o comportamento é ditado pelo consumidor e esta é uma a informação aberta para todos.

Entender e assimilar estes três passos para serem incorporados na empresa é primordial para um primeiro passo para o sucesso digital.

 

Então boa sorte e até breve,

 

Source: Food Revolution

 

 

 

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O que é Marketing Gastronômico ? [pt]

Olá! Tudo bem?

Te convido a parar 1 minuto para entender o movimento do Marketing Gastronômico, que eu trago em exclusividade para vocês. Um conceito novo criado na Inglaterra, difundido na Espanha e adaptado por mim, ao público lusofônico e francofono.

O Marketing Gastronômico nada mais é que transcender as necessidades dos nossos clientes. Como? Proporcionando experiências, inspirando este mundo efêmero, fazendo com que eles vivam o real em plena consciência; que comam uma comida de verdade, orgânica e que compartilhem nas redes sociais em abundância para que esta experiência seja difundida a nível Global.

Fala-se de experiência e nada mais coerente que ultrapassar a barreira da experiência para o nível gastronômico, certo?

No ano de 2017, estamos em plena Era do Marketing 4.0 (do Digital). O mundo anda conectado literalmente, no Brasil passamos mais tempo conectados que a conversando sobre a refeição a mesa e a maioria dos brasileiros olha o seu smartfone antes mesmo de se levantar da cama, a Consultoria Americana TrendWatching confirma. Na verdade, como as organizações utilizam estas informações? Limitadamente, eu posso comprovar pelas minhas inúmeras experiências ao redor do mundo.

Então o que as organizações estão esperando para acompanhar estes processos que estão literalmente a “comer o mundo“? Quais estratégias digitais a adotar? E porque o modelo de organizações exponenciais podem ajudar as empresas a ter um melhor desempenho?

Eu convido vocês a descobrir este mundo avant-gardiste antes que seja tarde demais, vem? eu te guio!

 

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Tendências Alimentares [pt]

“Eu sou uma mistura daquilo que eu me alimento e daquilo que eu não me alimento” Jean-Philippe de Tonnac

Esta frase ficou como reflexão durante alguns dias após a leitura da revista mais inteligente que já encontrei. A revista é francesa e chama-se “Question de” tradução: “questão de” e é escrita sob a supervisão de Marc de Smedt. Os artigos são compilados em um formato parecido com um mini livro e são publicadas somente quatro (4) vezes ao ano. Os editores visam explorar ao máximo a qualidade em plena consciência do conteúdo, ao invés de quantidade. A cada nova estação do ano é publicada uma edição da revista com um foco  preciso. Nesta última edição, os artigos estão todos relacionados com a exploração infinita do nosso corpo.

“O corpo é o ponto zero do mundo, é aqui onde os caminhos e os espaços se encontram” Michel Foucault

É com esta frase que começamos a refletir em um novo modo de consumo mais consciente. Navegando pelas redes sociais, ainda encontramos muitas pessoas focadas nas últimas dietas, regimes e milagres que estão na moda para ter um corpo “aceitável”. Tudo isto em busca de um ideal, talvez, de permanecer jovem ou de aparentar ser saudável. Mas a que preço? A grande questão que colocamos neste momento é: Estamos entrando em uma nova era voltada a ética do corpo?

Primeiramente, quero deixar bem claro que fazer exercício é fundamental para o nosso corpo, espírito e mente. Depois também quero esclarecer que não estou tomando partido de nenhum grupo alimentar, nem impondo modo de vida a ninguém. Por fim, o que está escrito neste artigo é o meu único e exclusivo ponto de vista baseado nas observações, leituras e discussões que pratico diariamente. Em nenhum momento reflete necessariamente o ponto de vista da revista que citei. Sendo assim, continuemos a pensar…

Durante o meu curso de gastronomia, eu pude observar muito antagonismo neste ambiente, por exemplo: Uma das pessoas que encontrei, tem um corpo “esteticamente” bonito para os padrões de hoje mas quando percebi o modo de consumo da alimentação desta pessoa fiquei chocada. Ela se privava de quase tudo e consumia somente a metade das calorias que são necessárias para o corpo de uma mulher. Ou seja, um consumo completamente defeituoso, que sim, trouxe um bem estar estético mas por dentro seu corpo gritava atenção.

Acredito hoje que o que precisamos em nossas vidas é: EQUILÍBRIO. O tal do equilíbrio, tão simples de escrever e tão mais complicado de exercer, que nós todos sabemos, porque na verdade nosso corpo é inteligente e ele sabe o que devemos ou não ingerir. Para chegar ao equilíbrio do qual eu descrevo aqui, temos que tomar decisões e posteriormente ações que passam pelo caminho do autoconhecimento, realização e plena consciência.

Só podemos atingir estes momentos de equilíbrio, uma vez voltados pra nós mesmos. Como o corpo humano é maravilhoso, somente nós (cada um respeitando a sua estrutura óssea, sua genética e suas histórias de vida) é que sabemos qual tipo de comida faz bem pro nosso corpo e em qual a quantidade ideal. Não existe fórmula perfeita aplicável para todo o mundo. O pensador italiano Guido Ceronetti em seu livro: O silêncio do corpo, Editora Albin Michel, 1984, já dizia: ” tudo o que nós comemos faz bem a nossa saúde”. Permito-me acrescentar que tudo que for consumido de forma equilibrada e que provenha de um lugar onde o respeito pelo que é plantado existe logicamente nos fará bem. Como diz aquele sábio ditado popular que todos nós conhecemos “tudo demais é veneno”.

Hoje a moda é não consumir mais carne, abstrair todo a carne (VPO – viandes, poisson, oeufs – carne, peixes, ovos) animal de nossas vidas e entre carnívoros, vegetarianos e vegetalianos temos que nos enquadrar, mais uma vez, dentro de uma caixinha com um nome específico. São os tais grupos, que fazemos parte desde a escola até o fim dos nossos dias.

O que é importante saber é que aquele alimento que você consumiu é uma energia. Tudo é energia! Se você planta um legume em um local com sol, em um terreno propício (sem poluição), com adubo orgânico, respeitando o seu processo de crescimento, quando este alimento chega no seu prato é uma “vida” que alimenta uma outra vida. A relação do que está no seu prato com o que você ingere deve ser uma relação de amor. Amor próprio! E este amor possui características completamente diferentes de um outro legume que for produzido em larga escala, sendo forçado a crescer rapidamente, com uma luz artificial e talvez dentro da água (como é o caso de alguns morangos). Não se enganem, o gosto do que consumimos e principalmente como nós nos sentimos posteriormente a ingestão deste alimento, vai determinar se você vai ter uma boa ou má digestão. Vai determinar inclusive o seu estado de humor nas próximas horas por vir.

“Entre a sensação de ter fome e de estar saciado, cada um deve poder encontrar a sua fórmula secreta do seu bem-estar, cada um deve encontrar a sua liberdade interior!”

Por isso, acredito que o que é importante não é se você é carnívoro, vegetariano ou vegetaliano, entre outras categorias. O que acredito profundamente é no respeito que aquele alimento tem ANTES (de que forma este alimento foi gerado, alimentado e nutrido?), DURANTE (como foi a “morte” deste animal/vegetal?, ele foi respeitado?) e DEPOIS (como ele é tratado, o corte do alimento foi adequado ao produto?).

Os japoneses possuem as melhores facas do mundo, se você procura uma excelente faca são sem dúvidas as japonesas que você vai comprar. Temos ainda muito o que aprender com esta civilização tão sábia. Você sabe porque? Na verdade, eles acreditam na comida como um alimento SAGRADO e isso é muito importante. Os peixes devem ser respeitados até na hora de serem cortados. Por isso, as facas são as melhores e mais bem afiadas do mundo. Para que eles possam seguir a linha da sua vida e morte. Respeitar o corte feito naquele salmão por exemplo, é agir de forma equilibrada para que aquele peixe não tenha morrido em vão. Porque até a morte deve ser respeitada e agradecida, lindo não é? Profundo como tem que ser. Um chefe francês que admiro muito e que possui essa postura é o Thierry MARX, que procura aplicar muito da filosofia asiática em seus pratos.

Então, vamos sintonizar a nossa rádio interior e consumir consciente procurando saber o ANTES, DURANTE e DEPOIS daquele produto que fez um longo caminho para chegar ao nosso prato, certo?

Com amor,

 

 

 

 

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Entrei pro curso de Gastronomia ! [pt]

Bem vinda(o)!

Hoje eu venho aqui pra partilhar com vocês uma notícia muito legal, que me deixou muito feliz! Sim, eu entrei pro curso de Gastronomia no Lycée de Gascogne. Vou fazer parte de uma formação exclusiva para adultos no Greta. Eu sei que somente a técnica não é suficiente para ser uma boa cozinheira, então tomei a liberdade de frequentar alguns cursos complementares na escola de gastronomia Ferrandi Paris, que na minha opinião é uma das melhores escolas privadas da França.

 

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Como uma novidade nunca vem sozinha, eu também consegui que um restaurante de comida típica francesa me “adotasse” como aprendiz de feiticeira de cozinha. Eu estou tão feliz, que só tenho a agradecer. Este é o resultado de um ano de busca, de testes, de me colocar em questão, cobranças etc.

Óbvio, que criar o blog, escrever pra vocês (imaginando que há pessoas que leem o que escrevo) fez eu me sentir apoiada e me deu muita força pra continuar tentando quando as portas se fechavam. Por isso, quero agradecer a cada um de vocês que está lendo este post e que se preocupa comigo, OBRIGADA!

 

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Desta vez para a entrevista, eu estava mais calma, tinha algo de diferente no ar! Fiz prova de paciência durante 4h para ser entrevistada e como por sorte, fui a última dentro de mais de 80 candidatos (divididos em 6 jures). O curso de cozinha nesta escola que eu vou frequentar aqui na França é muito reputado e não são só os franceses que querem ingressar como alunos, tem muitas pessoas de outras nacionalidades assim como eu. Encontrei gente do mundo inteiro durante a entrevista mas como todos eram concorrentes as conversas não fluíam.

O tempo foi passando, senti que a prova de resistência já tinha começado antes mesmo da entrevista, com o corre-corre dos papeis (que não são poucos) e a parte administrativa mais chatinha. Tivemos um longa apresentação de como tudo iria se passar, como funcionavam os cursos, o custo e claro, que se estivéssemos ali para brincar de cozinhar podíamos esquecer e ir embora de imediato.

 

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A minha vez da entrevista chegou, como não podia ser diferente, desafio grande já começa grande desde o início. Logo vou ser entrevistada pela Responsável Geral do curso, meu coração vai a mil. Quando iniciamos a conversa, ela pede para eu descrever meu projeto profissional, assim como o meu projeto de vida e me deixa muito a vontade. Expliquei o porque de estar ali, como me preparei para o curso e quando é que decidi me profissionalizar. Argumentei tudo direitinho, aliás já passei tanto tempo me dedicando a criação desse projeto que sei até contá-lo de trás pra frente, falei do blog e ela ficou super entusiasmada. Entrei em alguns detalhes da minha vida pessoal que me foi perguntado e senti que podia quebrar um pouco o gelo com sorrisos e mostrando confiança até em certas frases de brincadeira. Coloquei em valor a escola, que atua com excelência em desafios e campeonatos culinários.

 

podium-juniors-300x200postMaxime TARDIEU – Lycée de Gascogne Talence

 

 

Deu certo! recebi minha carta de aprovação e começo as aulas em Setembro, quando o ano escolar aqui começa. Vamos preparar muitas gostosuras pra vocês ao longo deste ano que promete ser bem animado. Como vocês puderam perceber, o site também está evoluindo assim como eu estou evoluindo e as oportunidades vão aparecendo, então vamos torcer pra que este ano tudo dê certo.

Quero agradecer especialmente a todos que me apoiaram nesta fase, que eu sei, é somente uma primeira etapa de um caminho longo de fabricação de gostosuras. Nos encontraremos logo, em breve, no Facebook para fazer um vídeo em direto da Escola de Gastronomia Lycée de Gascogne e mais futuramente na Escola de gastronomia Ferrandi.

 

Um beijo,

REDES SOCIAIS:

Facebook: http://facebook.com/mandalafr

Instagram: anne_tess

 

 

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Meu Universo [pt]

Olá!

Bem-vinda(o) ao meu cantinho, criado com muito carinho pra partilhar um pouco de mim. Então entra, se acomoda, à vontade…tá em casa, tome um copo, dá um tempo…(Verdade Chinesa – Emílio Santiago).

Eu me chamo Anne Tess Guimarães, sou brasileira, nascida em Mossoró, criada em Natal, que viajou,  andou…andou e se instalou, por enquanto na França. Não, quem nasce em Natal não é natalina, nem natalense como muitos pensam, o originário da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte é potiguar (que em tupi quer dizer, comedor de camarão).

Sou nordestina, com muito orgulho sim senhor! Procuro nunca esquecer das minhas origens do Sertão, do Seridó,do  interior árido e das paisagens inesquecíveis do RN. Sou o fruto desta cultura linda, cheia de história, rica em mar e desbravadora que herdei dos meus antepassados Portugueses que deixaram muitas saudades. IMG_6586Meu coração bate forte e sempre foi dividido entre o que fui, sou e o que quero ser.

Moro na França desde 2013 (entre idas e vindas viajando para outros países como Portugal, Espanha, Itália, Egito, Líbano, Bélgica e Alemanha) mas saí do Brasil em 2009. Sou leonina com ascendente é em touros. Adoro conhecer novas pessoas, viajar, descobrir novos sabores, frutas, pratos, amo filmes de drama que me fazem chorar e me aventurar em novas experiências com as quais jamais tive oportunidade de viver antes.

Acho que a minha paixão pela culinária sempre existiu mas costumo dizer que foi Portugal que abriu literalmente meu apetite. A cozinha portuguesa, assim como a brasileira é muito rica e eu tinha sede de aprender e comer mais. Acredito que morar com pessoas que gostavam de comer bem e que acima de tudo sabiam cozinhar, foi o meu despertar para uma vida cheia de momentos “gourmands”.

Eu já trabalhei com muitas áreas diferentes, se existisse uma função com o nome de cidadã do mundo “criativa”, pode apostar que o meu nome estaria lá na lista. Como esta profissão não existe e eu odeio rótulos, então vou contar um pouco do que já fiz nesses 30 anos de vida.

#UM POUCO MAIS…

Quando eu era pequena, o que eu gostava mesmo era de vender balaio de São João, eu devia ter uns 5 anos mais ou menos mas adorava poder contar umas histórias e poder convencer os vizinhos a comprar as senhas dos balaios.

Quando estava na adolescência, o meu negocio era dar conselho, observar o comportamento dos outros e ajudar no que for. No início da faculdade, eu amava minha formação e comecei a trabalhar com o que eu mais gostava em uma indústria agroalimentar que fornecia doces à Disney. A vida foi passando e as oportunidades foram evoluindo até que consegui um cargo em um grande Banco como analista e lidava diretamente com Anneo público a solucionar problemas. Eu adorava isso. Depois de alguns anos, eu encontrei outra oportunidade para administrar outra empresa agro alimentária com 15 funcionários.

Depois que decidi vir para a Europa estudar Relações internacionais, eu prestei serviço para a Anistia Internacional. Em seguida, ganhei uma bolsa de estudos onde visitei o Cairo, passei um mês no Líbano aprendendo árabe e estudando a cultura do Oriente Médio. Minhas melhores lembranças eram as refeições diárias. A gastronomia deste país é muito rica e eles tem tantas especiarias diferentes que é impossível não amar cada prato feito com tanta personalidade. A comida é um meio de relação com os outros, todo mundo gosta de comer bem e acredito que a vida seria bem mais simples se fizéssemos comidinhas mais gostosas pros nossos vizinhos.

Foi graças a este percurso multidisciplinar que pude me realizar na cozinha. Tudo o que aprendi até hoje, todos os meus cursos (até aquele que a gente acha que não serve pra nada) e até a minha experiência como Au pair na França, serviu de lição para eu estar onde estou hoje.

Na França também fui responsável pela criação, organização e execução de « contraste », um evento artístico inovador onde reuniu três artistas diferentes em um ambiente multicultural afim de realizar uma obra de arte ao vivo entre a música clássica, a escultura francesa e a pintura japonesa. Foi no ano passado que amadureci a sementinha de vir a ser chefe de cozinha na França.

#UM POUCO DEMAIS…

IMG_4200Por outro lado, sou bastante crítica e exigente com os outros e comigo mesma. Sou assim…franca, às vezes sou até demais mas guardo uma sensibilidade que me guia e me toca até hoje. Adoro um desafio, uma competição sadia, minha maior paixão é trabalhar em grupo. A vida é cheia de razões para ser feliz basta ver o copo meio cheio ao invés de meio seco.

« Eu… eu… nem eu mesmo sei, nesse momento… eu… enfim, sei quem eu era, quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então. » Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll.

Aqui na França, eu moro numa cidade que fica no sudoeste chamada Bordeaux, uma cidade encantadora. Os franceses classificam Bordeaux como a « nova Paris ». Sou apaixonada por Paris pela quantidade de informação, de cultura e de gente diferente. Todos os anos faço vou a capital francesa para adquirir mais conhecimento, viagens abre o espírito de qualquer pessoa mas é em Bordeaux, ou melhor, na “Nova Paris” que me instalei.13012597_1164684180221852_3674722158553811646_n

Bordeaux é classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO e a cada ano vem se desenvolvendo em uma velocidade alucinante. A cada semana descubro uma casa de chá nova, uma loja de roupas misturando móveis com um design moderno, um bar de cerveja self-service, um bar a vinho, um novo restaurante, bistrot, brasserie, boulangerie, chocolaterie…enfim, a lista não tem fim.

A cidade mantém seu charme com a tradição de cultivar os melhores e mais caros vinhos franceses. Próximo de Bordeaux estão instalados alguns dos melhores vinhos do mundo entre eles os das regiões de Saint-Émilion, Pomerol, Pouillac, Pessac, Grave, minhas regiões preferidas mas entre estes já citados, existem enumeras outras dentro da própria região de Bordeaux CUB. Eu costumo dizer que estamos entre as praticidades de uma grande cidade junto com o ritmo mais calmo de uma cidade do interior da França.

Viagem-se, para dentro e para fora de si! 

Um beijo,

Anne.

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